Eu cresci e me apaixonei por mim.

[leia ao som de Tua - Liniker]

Eu sou mais eu. Sozinha e enrolada num edredom azul todo pontilhado com estrelas. 
Descalça sem nada e ao lado de um vinho bom, como na música do Liniker. Andando por aí, descabelada, irritada, abraçando a minha alma.
Com cheiro de acerola, margaridas e maçã. Vestida com roupas velhas, porém tão confortáveis. Descuidada e amada.
Cresci, crescemos. Um dia todos crescerão, mas ainda existem muitas crianças de 20 e poucos anos por aí.
Solidão, não é algo tão ruim assim. Eu tenho meus gatos, meu lençol, minhas meias e livros. Isso me basta, as vezes.
Quando me via só olhava no espelho e eu estava literalmente acabada, cheia de olheiras, rugas, cabelos estragados, gorda, espinhas espalhadas por todo rosto. Eu estava cansada. A vida me cansava, a rotina, a terra girando ao redor do sol. Eu nem sequer olhava o céu, mas hoje é tão diferente, porque eu cresci.
Minha altura é a mesma há mais de 4 anos. Meu peso oscila para mais e para menos de 6 em 6 meses. Só que isso não importa tanto. Eu consigo olhar para dentro de mim e ver a mulher que eu lutei para me transformar e a vejo - na maioria dos dias, porque sim, ainda existem dias difíceis - sorrindo, realizada, cativada por si mesma.
Eu sou apaixonada por mim mesma. Desde o cabelo desgraçado, as olheiras e aquelas espinhas que ainda teimam em aparecer em alguns dias do mês. Eu me amo, apesar de não apoiar minhas próprias atitudes impulsivas e repudiar minha mania de ficar me culpando por tudo que ocorre no universo e isso faz parte do crescer e amadurecer.
E bem, eu sou mais eu. Sozinha, acompanhada, com os gatos, lendo, ouvindo uma música qualquer e até sacudindo o esqueleto nas baladinhas da vida. Me amando de verdade, não tendo receio de arriscar, de viver. Eu cresci, apesar de ainda ter exatos 1,55cm.


PS.: texto antiguinho do meu tumblr, mas adaptado.

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