Sobre hábitos e saudade.


[você pode ler esse texto ao som do Habits - Tove Lo]

Essa rotina que não me cansa. Levantando pela manhã com tua camisa surrada que você esqueceu junto com tantas outras coisas que eram suas. Calçando meu chinelo velho - que já não tem mais um par. Tomando aquele café amargo que tanto te ajudou a virar noites escrevendo tuas histórias em papéis quando eu só queria que tu escrevesse elas sobre a minha pele. 
Bebendo todo o tempo daquela garrafa de vinho caro que você deixou na minha adega e pensando em como eu sinto falta de todas as conversas que jogávamos fora quando embriagados.
Querendo a todo o tempo conseguir de alguma forma me manter entorpecida para que minha mente ainda tão viciada não me leve até você e a todas as lembranças dos momentos que passamos juntos.
Todos os dias tomando banho e ouvindo todas as músicas que cantarolávamos juntos. Deitando na cama e me remexendo para todos os lados - sem sentir tua pele quente esbarrando na minha durante a noite.
Fico chapada quase o tempo inteiro. Fico parada. Fico pensando nas 24 horas de todos os dias que seguiram depois que você partiu.
Cheiro aquele travesseiro que insiste em guardar teu cheiro - ou minha mente que insiste em não esquecer que você dormia ali, bem do meu lado. Minha mente que não esquece a sensação da tua pele ora quente, ora morna. E do teu toque que arrepiava os pelos do meu corpo e me dava aquele calafrio gostoso na espinha.
Essa rotina de ir até a janela, olhar em volta e perceber que você não vai tocar minha campainha. Olhar para tela do celular e saber que a próxima ligação nunca será sua e que suas mensagens nunca mais serão para mim - que tu nunca vai ser meu e nunca foi.
Fico chapada o tempo inteiro e bem, essa tem sido a única forma de te manter fora da minha mente. Porque todos os meus hábitos - desde de sentar encolhida no canto do sofá porque sabia que você ia se esparramar em todo o resto, até tomar banho de porta aberta para ouvir sua voz caso precisasse de algo - me fazem perceber o quanto essa saudade é grande e o quanto tem sido vazio e sem sentido sem te ter nem sequer por perto.



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