No fundo eu sou igual a você.


Tu finge que não liga para nada, mas basta eu sair de perto que tu desmorona. Fica parecendo uma criança quando perde o doce, toda tristinha pelos cantos. Daí tu chora, chora, chora até soluçar, mas não me liga. Não me liga porque mesmo morrendo de saudades, tu tem a mania de querer parecer ser mais forte do que realmente é.

E eu tenho a mania de ir embora, de não ficar mais que uma noite - no fundo eu sou igual a você que morre de medo de se apegar e acabar sofrendo. Então, na maioria das vezes acabo indo embora dizendo que foi a última noite, a última transa, quando na verdade, eu só queria conseguir dizer que daqui uns dias eu volto, volto morrendo de saudades do teu cheiro.

Pode me xingar. Eu sei que tu faz isso mentalmente durante as transas e que tu faz isso durante qualquer discussão nossa pelo telefone. E bem, que mania feia a gente tem de nunca conversar cara a cara, de deixar tudo para depois, de ir empurrando com a barriga nossos erros, nossos medos, nossas mentiras.

Tu é toda coração de gelo, mas se derrete toda quando eu começo a passar minhas mãos pelo teu corpo. E tu fica fazendo manha, dizendo que nem me quer, que não sente mais desejo nenhum por mim, mas os pelinhos do teu braço te denunciam e esse sorriso bobo que se forma nos teus lábios quando eu me aproximo também.

Engraçado, a gente nunca quis ficar. A gente nunca quis ser nós, sempre rolava aquela conversa de tensa de que: somos eu e você, jamais nós. E veja só, os dois querem ficar mais que tudo e ficam negando isso de todas as formas que encontram - sim, não é só você que quer. Os dois querem ficar e querem se amarrar num "nós" bem apertado. Nós - sim! - queremos não ter que ir embora logo após o sexo, queremos dormir de conchinha e acordar um sentindo a pele quente e nua do outro. Mas, ao mesmo tempo a gente não admite nada disso e vai seguindo empurrando com a barriga algo que poderia ser tão simples.




Share:

0 comentários