Desfiz a prisão que te prendia no meu peito.


Pensei no porque você se foi e finalmente - dessa primeira/única vez - não me culpei. Não haviam dedos apontados para a minha cara. Não havia nenhum "eu fiz isso". Eu nem ao menos me lamentei pela tua perda, ou melhor, minha perda de te perder. Pela primeira vez, apenas aceitei o fato de que você sempre pôde ir para onde bem entendesse. Não aceitei isso feliz, mas também não haviam lágrimas escorrendo pelos meus olhos, apenas aceitei.
Definitivamente, eu te deixei ir. De coração aberto e com um sorriso no rosto, um sorriso meio torto devo admitir. Não que eu tivesse como te impedir de me deixar em prantos e com o coração na mão quando disse que nunca mais nos beijaríamos novamente - e eu sinto falta dos teus beijos - mas, eu tinha feito uma prisão para ti dentro do meu peito e você continuava lá, até que hoje eu resolvi que nem as minhas celas te prenderiam.
E eu espero que você fique bem. Que me diga se o seu tcc foi aprovado, só para eu ter um vislumbre de um sorriso teu. Que consiga colocar para frente aquele projeto que tanto faz teus olhos brilharem. E que você tenha de verdade, encontrado aquele amor - que eu achei ter achado com você.
Confesso: foi difícil te deixar ir. Mas, me deu uma leveza no coração, sabe? Uma sensação de paz mesclada com liberdade.
Finalmente, eu me sinto leve, eu me sinto minha, apesar de aqui dentro um pedacinho de mim ainda relutar por querer ser teu. E é por esse pedacinho que eu te peço: me deixa te olhar de longe, ver tua felicidade gostosa e sentir que tudo o que eu senti foi por alguém real. Me deixa - de longe mesmo, no meu cantinho - ver que teu sucesso ainda me faz bem, ver que o teu sorriso ainda me acalma e saber que minhas preces nunca foram em vão. Apenas me deixa sentir - tão livre - esse amor que ainda existe, só um pouquinho.




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