Retalhos



Devo ter me formado no curso de idiotice e feito até dourado, porque não é possível. Ninguém é mais idiota e burra do que eu! Ele vem assim, com aquele sorriso largo e maroto, aquele olhar conquistador que me faz perder o chão sob meus pés e aquele beijo apaixonante que me faz perder o ar. Chega de mansinho, me pega pelo cabelo e quando me dou conta, me encontro perdida naquela cama que jurei que nunca mais deitaria.


Qual é, eu já estou ficando velha pra essa coisa de sexo casual, amizade colorida. Quero romance, compromisso, lealdade, quero amor e tudo de bom que ele proporciona. Quero os problemas de um relacionamento rotineiro, quero brigas que acabam em uma transa daquelas.

Acho que o último cara que disse que me amava, foi meu irmão, no dia do meu aniversário. E como pode? Até meu irmão contando mentirinhas, porque todo mundo sabe que ele me odeia. Do que adianta o cara ser gato, se já ficou com 95% das meninas de onde moramos? Do que adianta ele estar agora dormindo na minha cama, se os braços dele não estão na minha cintura?  Sim, estamos cada um virado pra um lado diferente. Do que adianta ele ser bom na hora H, se nem anda de mãos dadas na rua?

Não sei! Ando vivendo num mundo de incertezas, perguntas que pairam em minha cabeça como: será que ele tem vergonha de mim? Será que ele se acha bom demais pra mim? Será que ele me ama (assim como o amo), mas tem medo que eu o machuque? Talvez. Talvez seja receio, por ter tido namoros fracassados antes. Talvez, é, talvez. Ou talvez, ele seja realmente um canalha que só quer me usar e já já me descarta, como se eu fosse lixo.

Mas o problema é que eu gosto, gosto de como ele faz com que eu me sinta mais mulher. Mas ao mesmo tempo odeio o quanto ele faz eu me sentir insegura.

Entre todas essas dúvidas, a única certeza que tenho é a de que vou sair mais uma vez quebrada, com o coração retalhado como uma colcha velha da casa da minha vó.

Nathalia Cancella, Colunista

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