Amor, sem danos


Quando descobrir que o amor já não vale a pena? Qual a definição do amor? Quando encontrará sua alma gêmea? São muitas perguntas, complexas respostas, mas, fáceis se você olhar como deve, primeiramente de forma simplista o amor pode ser definido como um sentimento, porque há provavelmente sete bilhões de outras definições para tal. Saber se vale a pena ou não é uma questão de dosagem, ou melhor, digo que é uma pesagem, como preferir, o que tem que saber é como você enxerga a outra pessoa, e quais características coloca a prova em uma relação. 

Se a relação te faz bem, feliz em boa parte do tempo, se você sente que a outra pessoa veio de certa forma para te completar, você pode estar no caminho certo, e se além disso, você tem consciência dos defeitos, mas sabe respeita-los, e mais ainda exaltar as qualidades, a relação pode sim ter um futuro, afinal você não encontrará a alma gêmea, sinto dizer, mas, não existem almas gêmeas, pessoas perfeitas é pura utopia. 

Desculpe te desapontar, mas, se você ainda não encontrou a pessoa certa, é porque provavelmente pode estar procurando nos lugares errados, ou porque idealizou uma pessoa que pode não existir, porque a vida nos mostra que contos de fadas só existem nos filmes, de modo que querer uma relação infantilizada não te ajudara. O príncipe não virá em um cavalo, nem chegara sorrindo, provável que nem vista trajes exemplares, ele pode estar usando uma camisa, boné e chinelo, e pode ser o cara que você deixou passar dias atrás, da mesma maneira pode ser aquela menina, com o esmalte todo descascado, cabelo bagunçado, e jeito um tanto desengonçado, ela pode não estar usando um vestido maravilhoso, nem tão pouco salto alto, mas você nem a olhou por isso. 

Eu sei, não existe essa história de olhar primeiramente o coração, você olha primeiro o exterior, mas olha, sabemos que só o exterior não basta, que a beleza te ganha no inicio, mas não mantém uma relação se não tiver algo mais, é aquela história da física e química, onde a física é o exterior, lembrando que beleza também é relativo para cada pessoa, e a química, que para mim particularmente é a mais importante. Porque a química te faz gostar até do exterior. Já deve ter ouvido alguém dizer algo mais ou menos assim: Nossa aquela pessoa é tão linda pelo que ela é. Da mesma forma também pode ter ouvido um: É lindo (a) por fora, mas tão vazio (a) por dentro. Pois é, bom é ter alguém do lado que se possa ter os diálogos mais improváveis, que te faça se sentir a vontade como você é exatamente, não que o amor aconteça sempre da maneira mais inusitada, ou que você só irá se apaixonar por pessoas que considera desarrumadas, como mencionei a cima. Eu só quero que entenda que o amor acontece em detalhes tão pequenos, que pode passar de maneira despercebida aos seus olhos.  

Tudo que precisa fazer é idealizar menos, e deixar que o hoje aconteça por si só, responda sorrisos, haja educadamente e igualmente com todas as pessoas, afinal todos merecem respeito, são humanos, passíveis a erros, mas humanos. E além do mais uma relação é constituída de amor (é o que se espera), mas não somente, é constituída de respeito, cuidado, e reciprocidade, palavra bonita, mas ainda mais quando é vista em prática. 



Para finalizar então gostaria de deixar um texto do Dr. Dráuzio Varela, que define bem como deveria ser uma relação, e um vídeo do Padre Fábio de Melo, trazendo justamente essa ideia de que pessoas perfeitas não existem, e ao final deixo também uma observação: Não procure a metade da laranja, procure uma laranja inteira, afinal uma pessoa pela metade é ruim, um amor pela metade ainda mais. E se quer saber se está verdadeiramente com a pessoa certa, pergunte para si como seria sua vida sem ela, e não faça que sua felicidade seja dependente, quando ela deve começar primeiramente em você, e logo depois complementada por outro alguém. 

”Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado. Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo, enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso. Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada uma pessoa bonita a seu modo. Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa. Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair. Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois. ” 

Dr. Dráuzio Varela

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