O que falta é coragem pra dizer adeus


Essa manhã está fria. O quarto escuro, muito frio. Mas nada se compara com a frieza entre nós dois, até nosso "bom dia" já virou rotina, falamos por obrigação e não por real vontade de falar. O nosso "eu te amo" sai de nossas bocas sem nenhum entusiasmo, nenhum sentimento. Eu já não sei mais o que nós somos, pra ser sincera, nem sei já fomos. 

Já não tenho mais vontade de te ver, de passar horas ao seu lado, de ver filme de conchinha. E por que? Onde foi que a gente errou? Por que nos afastamos tanto? Não sei. Parecíamos ser um casal perfeito, existiam planos e promessas, que foram quebradas e sumiram com o tempo. Hoje não tem mais cor, é tudo tão cinza, sem graça. Já não sinto mais o calor dos teus braços, nossos dedos se afastam quando se encostam, como se fosse um erro uni-los. 

Dentro de mim eu sinto dor, porque no fundo, tenho esperanças de realizarmos todos os sonhos que queríamos há anos atrás: casamento, uma casa amarela, dois filhos, uma família linda e feliz. 

Mas não sei, e talvez não queira saber, por medo da resposta, da verdade.
Só sei que queria voltar no tempo, pra desfazer os erros, as nossas mentiras, voltar atrás e fazer certo dessa vez, pra que nossos planos fossem adiante, e realizarmos tudo aquilo que um dia sonhamos.

Mas volto no frio do meu quarto e te ligo pra ouvir sua voz, pra perguntar se alguma parte de você ainda chama por mim, se ainda existe amor em meio os problemas e desilusões. Você atende com voz de sono: 

- Oi amor. Aconteceu alguma coisa? 

- Aconteceu! Aconteceu que eu ainda te amo, que eu quero você de volta pra mim, que volte a ser o meu amor, que volte a sonhar comigo. E o que aconteceu? Por favor!

- Calma amor, vai ficar tudo bem, para de drama e me deixa dormir!

E escuto o telefone desligando, assim, bem na minha cara. Dois meses se passaram, você acha que ficou tudo bem? Ficou! Estou me virando muito bem sem ele. E hoje quando me olho no espelho, percebo o quanto mudei nesses últimos anos. Aprendi e ensinei. Experiência. E então passam mais seis meses, e me encontro deitada na sua cama, usando sua camisa, enroscada em teus braços. Mais uma vez fazendo planos, imaginando um futuro juntos. E pra quê? Pra depois de um tempo, voltar pro frio do quarto, pensando onde foi que erramos, que nos perdemos. Tudo de novo. 

Quando vou aprender que nosso tempo já passou? Não adianta tentar consertar aquilo que quebrou, sempre terá cicatrizes. 

E olha eu aqui na sua cama, com sua camisa, fazendo planos.
Hoje, a manhã está tão fria. Tão vazio. Já passou da hora de dizer adeus.

Nathalia Cancella, Colunista

Share:

0 comentários