Filme de romance não segura ninguém


Eu tinha quase certeza que ele iria viajar no final de semana em que nós comemorávamos seis meses de namoro. Essa certeza vinha da pequena informação de que os pais dele precisavam ir para outra cidade. Ele teria que ir junto, mas nós ficamos conversando a tarde toda pra poder matar a saudade, ou nem deixá-la aparecer.

— Você vai que horas? — perguntei enquanto secava meu cabelo. Ele visualizou a mensagem e demorou algum tempo para responder.

— Não vou. Na verdade quem vem é você. Te busco aí as 19h.

Fiquei em choque. Em seis meses eu não havia pisado na casa dele sem que os pais estivessem lá. Não me incomodei com isso, pelo contrário, achei legal, até porque era um tempo que nós dois precisávamos. Um tempo nosso, e mais nada. 

Me arrumei, coloquei a melhor lingerie, um vestido azul com renda e uma sandália. Passei um pouco de batom meio nude e fiquei pronta. Não havia dado a hora, mas o celular apitou com a mensagem dele dizendo que já estava lá fora. Saí de casa e caminhei até o carro pensativa. Percebi que sentia falta do nosso tempo sozinho. 

Quando entrei no carro o beijei da forma mais provocante possível; deixei-o sem ar, completamente desnorteado e ele riu. Pegou o caminho para sua casa enquanto descansava a mão na minha coxa e fazia círculos com o polegar. Aquilo era delicioso. 

Ele estacionou o carro, fechou o portão e abriu a porta para mim sorrindo. Tirou a roupa e colocou algo mais solto, um short e uma camiseta. Me puxou para o sofá e deitou de conchinha comigo. Perguntou se eu queria ver algo e eu pedi pra ele colocar um filme de romance do Nicholas Sparks que agora nem lembro o nome, o assunto iria ser outro.

Deitei junto dele e me aconcheguei. O filme não conseguiu prender a atenção de ninguém.

— Sabe o que eu queria agora? —sussurrou em meu ouvido enquanto tirava meu cabelo da nuca e a beijava.

— Hm?

— Você, sem nada. 

E ai eu desabei. Minhas pernas bambearam e minha coxa tremeu. Me virei para ele e o beijei. Ele abriu espaço no sofá e ficou por cima de mim segurando meu cabelo pela nuca entre seus dedos. Tentei respirar fundo mas o desejo me deixava ofegante. Abri meus olhos e o puxei para perto do meu corpo. 

Primeiro foi a camiseta dele, devagar e com toda a expectativa que eu poderia criar para aquele momento. Depois foi meu vestido. O shorts dele, meu sutiã e o resto das nossas roupas íntimas. 

Me vi petrificada diante do cara que eu desejei por anos, me vi em êxtase e derretida. Nunca havia sentido nada do tipo. E toda a noite foi assim, no sofá, na cozinha, no quarto dos pais dele, na cama dele, enquanto eu gemia e ele me beijava para que eu não fizesse nada alto. No chão... Foi em tudo. 

Pra variar todos os dias que foram no carro. Eu nunca gostei tanto de um carro.

Cranela

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