Um outro conto


Acordei, era mais ou menos umas 9 horas e o dia estava gelado mas com o sol forte lá fora e ainda bem, era domingo. E ao olhar ao meu lado, ver você dormindo num sono tão gostoso, parecia estar sorrindo, parecia, não sei, tão leve mas não quis te acordar e continuei ali te olhando durante uns quarenta minutos eu acho, até que você esboçou mexer os olhos como se estivesse acordando e ao abri-los, me deu um sorriso, um sorriso apaixonado, um sorriso de que estávamos na mesma sintonia, na mesma viagem. Preparei nosso café, você gostava de café bem quente com pouco açúcar porque dizia que dava mais energia para poder manter acordada e gostava de torradas não muito queimadas mas gostava de bem tostadinhas. Por incrível que pareça, ela me chamou pra tomarmos um banho juntos, e topei, com toda certeza do mundo e ficamos juntos de baixo da água, nós dois com frio e um aquecendo o outro automaticamente.
Saímos pra rua, fomos dar uma volta no parque pois nesse dia eu queria fazer tudo o que Marcia estivesse com vontade, ela disse que queria ir ao parque pois lá ela se sentia mais calma, conseguia energias pra poder continuar a trabalhar lá no bar, onde estava 3 anos já e que aos domingos não abria. Sentamos em um banco ali do parque, onde dava para ver crianças brincando de neve, era inverno na Inglaterra, fazia 1 grau, com máxima de 2 se o sol saísse. Ficamos lá até umas 17h, namoramos, conversamos, andamos bastante também, conheci bem melhor aquela que estava me deixando tão leve, estava me fazendo um bem tão grande que eu não queria deixar Marcia ir embora, queria tê-la pra sempre comigo. Mas foi dando 20h e o sol já não estava mais lá, a cidade já estava praticamente vazia e estava nós dois naquele parque vazio.
Estou aqui sentado, lembrando dos nossos momentos juntos. Acordei com uma saudade, não sei, uma saudade do seu rosto, dos seus olhos e do seu humor logo pela manhã, nossos cafés que tomávamos praticamente todos os dias juntos e as horas que passávamos ali, só deitado, eu acariciando seu cabelo, você abraçada ao meu corpo e me apertava. Me veio também a nossa última briga, última discussão que tivemos e você simplesmente foi embora para não voltar. Ontem fumei um baseado com a Fer, estava de bobeira e resolvi acender um e ficar em paz curtindo uma boa música e jogando conversa fora mas achei que havia me esquecido de você, do meu sentimento, é, pois é, não esqueci.
Bom, voltando. Levei Marcia à sua casa, ela morava com mais duas amigas, a Amanda e a Carol, também brasileiras, moravam na rua Southwark, nº 213. Elas estavam assistindo tv e Marcia me chamou para fazer companhia a elas, me sentei e ali fiquei durante uns 30 minutos e fui para minha casa. Nessa época eu não havia entrado na polícia inglesa ainda, existia só hipóteses em eu poder contribuir para a nação inglesa, eu havia conversado alguma coisa sobre com Marcia, mas acho que nem levou isso a sério.
Na semana seguinte, Marcia faria anos de vida, que maravilha, seria eu um presente que um ser supremo havia enviado a ela? Dei risada ao pensar isso, que viagem. Marcia faria 28 anos de idade e continuava a pessoa mais linda dessa face da terra, não encontrara outra pessoa mais linda que aqueles olhos brilhantes e um sorriso maravilhoso que me fez apaixonar sem pensar duas vezes. Voltei ao local de trabalho de minha amada no dia seguinte, ela me recebeu com um sorriso lindo e me serviu um café com torradas, meu café preferido. Conversamos um pouco, disse que queria conversar com ela sobre a hipótese de engrenar na polícia inglesa de Londres, ela me olhou com uma cara de incerteza, perguntou se era isso mesmo que eu queria e disse que apoiaria mesmo sabendo que não me via naquela profissão. Antes de engrenar na polícia, eu escrevia livros, trabalhava numa biblioteca que vendia também lps, são discos de vinis, eu sou apaixonado por coisas antigas e me encontro naquela loja e eu a visito praticamente toda semana.


Conto escrito pelo leitor João Pedro Sanches

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