Te dou um adeus agora, Slutt


- Então vai ser assim? Você vai abrir essa porta, ir embora e nunca mais voltar? - ela simplesmente não sabia para onde se mexer, só ficava me encarando enquanto minha garganta ardia implorando pelo choro.

- P-por favor, Slutt, não chore.

- Como você tem coragem de me pedir para não chorar depois dessa palhaçada toda? Maggie, você vai embora! Embora! - meu tom subiu duas vezes do normal.

- Você não chora, Slutt. E eu preciso ir embora, não há mais nada que eu possa fazer aqui.

- Você pode ficar! Se está sofrendo como diz, fique. Aqui. Comigo.

Eu nunca pensei que veria essa cena um dia. Achei que seria eu no lugar dela. Mas era ela mesmo. A pequena perturbadora e ninfomaníaca Mag, mudando de lado. Sendo o "homem" da relação e dando um basta nessa coisa toda que a gente tinha.

- Estou apaixonada por alguém que me chamará de namorada e de mulher, que me respeita e que não tem vergonha do que sou.

- O quê? Aonde você andou por todos esses anos? PUTA MERDA, cara. Eu disse a um mês que queria assumir para este inferno de mundo todo que você era minha e apenas minha, e você vem com esse papo de que alguém te chamará de namorada? EU QUIS TE CHAMAR DE NAMORADA E VOCÊ ME RECUSOU, MAGGIE!

Ela sentou, colocou os indicadores nas têmporas e respirou fundo. Suas bochechas estavam vermelhas, e dessa vez não era vergonha. Mag sentia ódio de mim, e eu nem sabia o porquê.

- O que foi que eu te fiz? - agora as lágrimas começavam a cair. Não hesitei, apenas deixei que rolassem pelas minhas bochechas e molhassem o lençol.

- Nasceu. Você, infelizmente, nasceu e trombou comigo em uma maldita festa. E fez-me apaixonar por você. Você destruiu todas as minhas expectativas de casar e ter filhos com o "homem dos meus sonhos", porque essa desgraça de homem era você. Era Slutt. Agora? Eu estou querendo desaparecer da cidade, do país, quiçá do mundo, porque você fodeu meu psicológico.

Tive que empurrar meu queixo para poder fechar a boca. Se existisse algo mais forte que extremamente chocado, este seria eu no momento que ouvi aquilo.

- Eu te... - ela me interrompeu aos gritos.

- AMA BOSTA NENHUMA, SLUTT! - levantou, respirou fundo e pegou a bolsa na mesa - Amanhã tiro minhas coisas daqui. 

A porta abriu e fechou tão rápido que não deu tempo de piscar. O vento embaixo da porta fazia um barulho assustado. Acho que a vida sem ela seria assustadora. 


Eu nunca me vi perdido por causa de uma mulher, agora estou. Não só perdido, como falido e destruído.

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